terça-feira, 12 de junho de 2012

O SOPRO DA VIDA CHAMA-SE VENTO

 

O vento leva as sementes de um lado para lado, espalha o pólen, limpa os maus cheiros, eleva o perfume das flores, sopra nas velas dos barcos, empurra as águas dos rios, move as pás dos moinhos...o vento tem muitos nomes, entra de mansinho no nosso corpo e dá-nos o sopro da vida, limpa as células e regenera a mente. E o vento traz o perfume de outros lugares e de outras gentes. O vento forte passa a mansinho qual brisa de primavera ou ruge enfurecido nas ondas das marés vivas. O vento leva e trás.

O meu pensamento conversa com o vento: - Oh vento vai ao jardim, e canta para as flores dançarem. Nas árvores sopra com força para as folhas sentirem cocegas e rirem sem parar. 


                                                           Na rede o jardineiro olha o céu ... 


... e descansa.  Enquanto ele sonha que as fadas estão no seu jardim - oh vento embala a rede -  empurra as folhas caídas para um lado, traz algumas nuvens e pede-lhes uma chuva rápida para refrescar a terra. O jardineiro no seu canto, continua a sonhar e agora ouve uma fonte a murmurar no seu jardim, sorri com o barulho da água e cede ao sonho. O vento sopra mais forte ainda e afasta as nuvens e o sol volta prazeiroso e quente fazendo a terra cantar através do cheiro. O Jardineiro conhece esse cheiro - ama todas as horas que passa no seu jardim mas aquele cheiro da terra a dizer obrigada é o maior -  enternece-o sempre! Olha ao redor e o jardim está limpo e a terra molhada ...  o perfume e o sorriso das flores cumplices segredam-lhe que foram as fadas e os elfos e os duendes que chegaram pelo vento... em silêncio passa por todos, desliza os dedos pelas folhas, pelas pétalas, e dança com os olhos e o coração. Sorri para si mesmo, mais um segredo do seu paraíso, o seu jardim.


 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

AZUL NOTURNO


Alto mar, quase sobre o equador e depois de 8 dias a navegar. Naquele momento meu pensamento recebeu tanto vento que voou, voou e  repousou no sol aconchegado por muitas nuvens e deixou minha mente azul. Tão azul que meu coração sorriu de amor. O sol se despedia e levava a luz dourada,  deixando um manto de veludo azul escuro a encobrir o dia. Um entardecer em alto mar é tão repousante - só uma imensa paz nos envolve.  O sentimento de união, de gratidão preenche todos os sentidos. O olhar desliza na ondulação do mar, a gravidade  solta-se e o manto noturno também aconchega nosso corpo e coração. Oh universo a ti nos rendemos!!

domingo, 10 de junho de 2012

FLORES LIVRES E OLHAR PRESO




As amostras mais lindas da Natureza são as flores, prendem o olhar e fazem-nos sonhar com alegria pueril. As montanhas, os rios, as florestas, enchem-nos a alma quando estamos na Natureza, mas são as pequeninas flores, que se transportam de um lado para o outro, que nos recordam no coração a beleza e a fragilidade de nós próprios. Como conseguem ser mais frágeis que nós e tão mais bonitas?! seja num descampado, seja num vaso de jardim, ou seja numa fotografia, as flores fazem-nos retribuir o sorriso que recebemos da mãe natureza! 

      
                                           em Santiago de Compostela



                                                         


                em
            Tenerife




                                                           




 em Vila Nova de Gaia


     com legendas, em Glastonbury            



Gracias Planeta!, por ainda sorrires para nós através das tuas cores mais livres e simples -  a ti ficamos presos de amor!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

SEM PENSAR MUITO


A pequena gaivota descansa no grande navio que zarpa rumo a terras longínquas. A gaivota vai ficar no Tejo, já desistiu há muito do esforço da pesca, prefere a cidade e os caixotes do lixo, sabe pelo passa grito, que os humanos desperdiçam coisas muito boas e ainda fazem fotos, encantados com algumas poses serenas, mal sabem eles que a maioria das gaivotas já esqueceu Fernão Capelo! A gaivota espreita os que vão, uns tolos, outros tolos também, a fugir de si próprios e na bagagem levam o que fingem ter deixado para trás, escondido em roupas bonitas. O entardecer de Novembro está majestoso e sereno, o céu muda de cor, e a luz faz jogos com as nuvens. A pequena gaivota voa e leva o meu corpo também, o país a ficar para trás, os pensamentos a desvanecer-se e -  sem pensar muito - deslizo entre os azuis da Terra e do Céu.  O navio sumiu, o país sumiu, as malas, as vozes e as roupas também, só o vento frio e o imenso azul !!!!! por fora e por dentro!!!!!sem pensar !!!!