sexta-feira, 6 de julho de 2012

PRAIA DA VIDA, MAR DE SONHOS


                         A metáfora da vida, numa praia linda de acessos escondidos como os desejos do coração …





Saímos da casa grande rumo à praia, seguimos uns atrás dos outros, confiantes em quem conhece o caminho, os pés picam-se no mato e tropeçam nas pedras. Numa parcela asfaltada - percurso ilusório da modernidade fácil - os perigos continuam, carros apressados buscam praias organizadas e perfeitas, para parecerem perfeitos também. Em frente, à esquerda, e outra vez à esquerda, numa estrada de terra de pó tão fino que as folhas e ramos parecem arranjos de Natal, pulverizados de spray prateado. Uma curva aqui, uma subida acolá, olhamos curiosos para as casas magníficas, vislumbramos condomínios incríveis e antevemos praias simpáticas. Seguimos o objectivo, mesmo sem o conhecer. Mais uma curva e lá está a bela praia, paradisíaca, secreta, e acende nosso desejo. 


Do alto da falésia, sorrimos encantados, nós vamos àquela praia! Como?  nosso desejo não sabe como, mas quer e vai. O acesso único é por um barranco íngreme. Sem hesitar, excitados pela visão do objectivo, começamos a descida escorregadia por tanta terra seca, e nos obriga a ter muita atenção aos detalhes, a baixar o olhar. Por breves momentos esquecemos o objectivo maior e colocamos toda a atenção nos contornos traiçoeiros das pedras soltas. De cabeças baixas, silenciosos, as mãos tacteiam os arbustos e as pedras firmes, mal nos recordamos porque estamos ali, ofegantes, carregados de tralhas que no momento parecem excessivas, somente nos interessa evitar resvalar. No meio do caminho estamos tão   embrenhados nos pequenos detalhes que somos surpreendidos com uma vista parcial da praia e retemos a respiração: nosso objectivo cresce e aparece, imenso, lindo, preenchendo o peito e num suspiro vaidoso esquecemos totalmente as caminhadas passadas.

Os olhos embevecidos pela paisagem atrasam os pés, que hesitantes, descuidam dos detalhes e continuamos a contornar o barranco num zig zag que ilude a descida íngreme - estamos quase lá!. Falta um metro ilusório e, sem darmos conta ficamos parados diante da praia, do mar límpido, do sol quente. Outra ilusão, o objectivo só aparentemente está ao alcance, temos de retroceder. Dar as costas ao desejo, a custo e entre passadas irregulares lá atravessamos os sete metros reais de costas voltadas mas com o objectivo em mente. O primeiro impacto quando tocamos a areia é intimador, as paredes das falésias quase se fecham num pequeno espaço, sentimo-nos pequenos. A nossa mente esquece tudo e só quer o mar e a serenidade daquela pequena praia desconhecida da multidão de Agosto.


Na praia, descalços, sentimos a areia macia depois da rigidez da escarpa! O olhar rápido escolhe o melhor local e num ápice estamos de toalhas estendidas e sorrisos de poder. Neste dia o mar está revolto mas não assusta ninguém, pelo contrário atrai, as ondas estão como cabelo carapinha, cheias de raminhos de algas, que dançam e se entrelaçam em contraposição de forças. Cada um de nós, à sua maneira, absorve a força desta praia quase secreta. Atingimos o objectivo porque ultrapassamos as dificuldades do barranco. A natureza dá-nos uma lição de vida: se formos persistentes nas agruras da vida chegaremos aonde quisermos!


Eu também estendo a toalha, olho ao redor - primeiro dia de praia no Algarve! - o corpo quente do esforço da escarpa sente um certo pudor ao tirar a roupa, sorrio pois a sensação é boa e interrogo-me se terei medo desse mar de ondas pequenas mas fortes. Devagarinho molho os pés, o mar oferece um leve frescor no meu corpo, ainda tenso da caminhada, e num acordo suave, meu corpo, entra no mar de mansinho e ajoelha-se num longo suspiro. Uma inspiração profunda - que sai do meu coração através do olhar, vai até à linha do horizonte, desliza pelo Céu até ao Sol e  - retorna na expiração forçada. Coordeno a respiração com o gesto de elevação dos braços e com as mãos em concha elevo o Mar até ao Céu. Refresco o Ar e o Sol devolve-me esse mar em gotas transformadas em diamantes que caem sobre meus olhos arregalados e no meu peito aberto. Movimento rotativo, de baixo para cima, de trás para a frente, numa roda da vida, molhada, abençoada. Sentada nos calcanhares, elevo-me ao sabor das ondas fortes. Rodo os braços, recebo os diamantes e sinto o Amor de Deus, a fluidez da Deusa Mãe e agradeço esta missa de domingo, na praia das Fontainhas!


Algumas ondas mais fortes obrigam-me a cair, a deslizar para dentro do mar ou na direcção da praia, não sinto medo, cada tombo faz-me rir como uma criança feliz, o mar tem sabor de sal na boca e de mel no coração. De pé, com as ondas a fazer meu corpo ondular, abro os braços como uma hélice, brinco, rodo meu corpo como um parafuso, e deixo o Ar entrar no Mar, o Sol entrar no Mar e o Mar subir ao Sol e este excitado, retribui em gotas brilhantes como diamantes!… A festa do riso e das gotas no ar junta os amigos e transforma o banho em comunhão. O Sol, o Ar, o Mar e nós, rindo, rindo, numa dança molhada e feliz…uma comunhão tão intensa que num dos tombos minha mão encontra um prenda, uma pedra feminina com um fóssil em forma de mão - uma mão encontra a minha mão! - obrigada Mar, obrigada Vida! 

                                                                          

 Na catedral das Fontainhas, vivi uma missa de domingo !!!!!  e voltei mais fresca! :)

domingo, 1 de julho de 2012

A VIDA VAI E VOLTA E É LINDA


Um bébé desperta em nós a pureza da vida, a alegria da criação e a esperança que tudo vai melhorar. Agora, ter nos braços um bébé que é de alguém que é nosso - uma neta - é uma sensação estranha e que ainda estou a acostumar-me, são lá vão quase dez meses e ainda tenho um certo pudor em exercer meu sentimento de posse, quase um respeito suave. E ela devolve-me com um amor tão confiante e puro que estremeço de responsabilidade. Ela tem um jeito tímido e desconfiado com os outros mas saltita de alegria em meus braços, fico num misto de vaidade e meu coração ri, minha mente apaga-se e o mundo ao redor desaparece!...ou melhor! fica turvo de rosa e só existem nós duas; eu fico inebriada pelo seu riso e pelo brilho dos seus olhinhos perante minhas brincadeiras....e quando ela cansada, encosta sua cabecinha em meu peito e se entrega confiante, mal respiro para não perturbar seu descanso. Os seus dedinhos apertam o meu braço talvez a buscar o aconchego que sente em minha pele, não sei, só meu coração canta e meu abraço fica ainda mais redondo aquecido pelo meu coração. 

Como a linguagem do amor é silenciosa ela adormece em minutos e meu corpo se transforma numa nuvem de algodão forte e protector. A vida borbulha ao meu redor, e num misto de alegria e de tristeza a esperança da criação acumula-se nesta neta, neste pequenino ser que já sente a avó de coração alongado ao outro bébé tão longe.  Hoje, dia 01 de Julho faz 27 anos que eu tinha outro bébé nos braços, e a roda da vida vai e volta.  Hoje, esse bébé é uma mulher linda que tem outro bébé  nos braços e estão ambos tão longe, depois do grande oceano...

Numa cumplicidade secreta a doçura do abraço faz meu coração transbordar de amor e o seu olhar fala-me duma fragilidade celestial - os anjos levam meu amor ao outro bébé - a cumplicidade se estabelece e o grande Amor Maior faz-se presente. Obrigada neta linda por unires no meu colo, o teu amor ao meu e juntas damos amor ao Adonai, o novo neto de oito dias...amo-te Maria Helena neta doce.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O SOPRO DA VIDA CHAMA-SE VENTO

 

O vento leva as sementes de um lado para lado, espalha o pólen, limpa os maus cheiros, eleva o perfume das flores, sopra nas velas dos barcos, empurra as águas dos rios, move as pás dos moinhos...o vento tem muitos nomes, entra de mansinho no nosso corpo e dá-nos o sopro da vida, limpa as células e regenera a mente. E o vento traz o perfume de outros lugares e de outras gentes. O vento forte passa a mansinho qual brisa de primavera ou ruge enfurecido nas ondas das marés vivas. O vento leva e trás.

O meu pensamento conversa com o vento: - Oh vento vai ao jardim, e canta para as flores dançarem. Nas árvores sopra com força para as folhas sentirem cocegas e rirem sem parar. 


                                                           Na rede o jardineiro olha o céu ... 


... e descansa.  Enquanto ele sonha que as fadas estão no seu jardim - oh vento embala a rede -  empurra as folhas caídas para um lado, traz algumas nuvens e pede-lhes uma chuva rápida para refrescar a terra. O jardineiro no seu canto, continua a sonhar e agora ouve uma fonte a murmurar no seu jardim, sorri com o barulho da água e cede ao sonho. O vento sopra mais forte ainda e afasta as nuvens e o sol volta prazeiroso e quente fazendo a terra cantar através do cheiro. O Jardineiro conhece esse cheiro - ama todas as horas que passa no seu jardim mas aquele cheiro da terra a dizer obrigada é o maior -  enternece-o sempre! Olha ao redor e o jardim está limpo e a terra molhada ...  o perfume e o sorriso das flores cumplices segredam-lhe que foram as fadas e os elfos e os duendes que chegaram pelo vento... em silêncio passa por todos, desliza os dedos pelas folhas, pelas pétalas, e dança com os olhos e o coração. Sorri para si mesmo, mais um segredo do seu paraíso, o seu jardim.


 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

AZUL NOTURNO


Alto mar, quase sobre o equador e depois de 8 dias a navegar. Naquele momento meu pensamento recebeu tanto vento que voou, voou e  repousou no sol aconchegado por muitas nuvens e deixou minha mente azul. Tão azul que meu coração sorriu de amor. O sol se despedia e levava a luz dourada,  deixando um manto de veludo azul escuro a encobrir o dia. Um entardecer em alto mar é tão repousante - só uma imensa paz nos envolve.  O sentimento de união, de gratidão preenche todos os sentidos. O olhar desliza na ondulação do mar, a gravidade  solta-se e o manto noturno também aconchega nosso corpo e coração. Oh universo a ti nos rendemos!!

domingo, 10 de junho de 2012

FLORES LIVRES E OLHAR PRESO




As amostras mais lindas da Natureza são as flores, prendem o olhar e fazem-nos sonhar com alegria pueril. As montanhas, os rios, as florestas, enchem-nos a alma quando estamos na Natureza, mas são as pequeninas flores, que se transportam de um lado para o outro, que nos recordam no coração a beleza e a fragilidade de nós próprios. Como conseguem ser mais frágeis que nós e tão mais bonitas?! seja num descampado, seja num vaso de jardim, ou seja numa fotografia, as flores fazem-nos retribuir o sorriso que recebemos da mãe natureza! 

      
                                           em Santiago de Compostela



                                                         


                em
            Tenerife




                                                           




 em Vila Nova de Gaia


     com legendas, em Glastonbury            



Gracias Planeta!, por ainda sorrires para nós através das tuas cores mais livres e simples -  a ti ficamos presos de amor!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

SEM PENSAR MUITO


A pequena gaivota descansa no grande navio que zarpa rumo a terras longínquas. A gaivota vai ficar no Tejo, já desistiu há muito do esforço da pesca, prefere a cidade e os caixotes do lixo, sabe pelo passa grito, que os humanos desperdiçam coisas muito boas e ainda fazem fotos, encantados com algumas poses serenas, mal sabem eles que a maioria das gaivotas já esqueceu Fernão Capelo! A gaivota espreita os que vão, uns tolos, outros tolos também, a fugir de si próprios e na bagagem levam o que fingem ter deixado para trás, escondido em roupas bonitas. O entardecer de Novembro está majestoso e sereno, o céu muda de cor, e a luz faz jogos com as nuvens. A pequena gaivota voa e leva o meu corpo também, o país a ficar para trás, os pensamentos a desvanecer-se e -  sem pensar muito - deslizo entre os azuis da Terra e do Céu.  O navio sumiu, o país sumiu, as malas, as vozes e as roupas também, só o vento frio e o imenso azul !!!!! por fora e por dentro!!!!!sem pensar !!!!








segunda-feira, 21 de maio de 2012

A PENSAR SEM VENTO




Esta foto, mesmo sem muita qualidade, causa-me espanto - terá este véu de luz chamado a atenção de outro planeta?!- no céu está um OVNI?!!! ... eu vejo!... e na altura não me apercebi de nada porque lembro de ter observado a lua e o céu estrelado.  Por isso a partilho, OVNI ou não, adoro descobrir novas leituras nas fotografias ingénuas, e nem sempre feitas por mim, como o caso desta, alguém do grupo saiu a tirar fotos, e a luz daquele flash, mais branco que a luz das velas, parece que abre caminho à imagem de Maria?! Em 2012 o que separa os mundos está cada vez mais fino, mais fino ....



                                                                   12 de Maio

Pela primeira vez participei deste véu de Luz, sem o grande esforço da peregrinação, sequer o pequeno esforço da visita turística - somente o estar ali -  com os pés descalços no chão aquecido pelo belo dia de sol, a leveza no coração de quem se sente livre dos dogmas, e o olhar encantado e respeitoso pelo poder rústico da Fé. O entardecer estava esplêndido, de céu cor de rosa doce, o espaço do Santuário ia se preenchendo suavemente num mar de gente silenciosa e colorida, como ondas de maré baixa. Espanto, respeito e admiração por tanta intenção. Quantos peregrinos? Quantos pés doloridos? Quantos corações quentes?! Com a vela na mão, e a partilha cronometrada pela oração e cânticos, cada um se transforma em todos - somos um só - um gesto único fazia o luz mover-se, como um véu! Numa emoção imensa, o Céu e a Terra conjugam a energia do Amor.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Lobo e a Fada

                                
Ora bem, este blogue nasceu em 20 de Janeiro, no entanto e por inexperiência não conseguia dar seguimento a outras mensagens ou fotos; e hoje finalmente volto a aceder ... por estimulo de um jardineiro gentil deixo outra foto do mesmo entardecer cor de fogo - talvez da toca do Lobo - e já agora acrescento à vida do Lobo uma Fada, que os chapéuzinhos vermelhos andam fora de moda:   


Uma Fada de vestidinho amarelo, docemente sentada numa pedra, debaixo de chuva de folhas coloridas, na região do sol cor de fogo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Nesta paisagem colorida, da Terra ao Céu .... espero que as cores possam colorir seu pensamento e preencher seu imaginário assim como preencheram minha respiração quando assisti a este fim de tarde algures no interior de Portugal... boa tarde a todos e bons momentos
 Hoje, dia 20 de Janeiro de 2012, dia de São Sebastião, feriado na cidade de Santa Maria da Feira e Rio de Janeiro.

Hoje inicio este espaço, onde pretendo jogar meus pensamenos ao vento, deixá-los voar aquecidos pelo sol.

Hoje conheci um Kem, se era o da Barbie não sei, talvez por causa da camisa rosa lilás tenha me feito lembrar da Barbie, no entanto seus olhos transpareciam uma vivacidade jovial, um sorriso discreto e um tanto cinico!... a ber bamos!! ...