
Um bébé desperta em nós a pureza da vida, a alegria da criação e a esperança que tudo vai melhorar. Agora, ter nos braços um bébé que é de alguém que é nosso - uma neta - é uma sensação estranha e que ainda estou a acostumar-me, são lá vão quase dez meses e ainda tenho um certo pudor em exercer meu sentimento de posse, quase um respeito suave. E ela devolve-me com um amor tão confiante e puro que estremeço de responsabilidade. Ela tem um jeito tímido e desconfiado com os outros mas saltita de alegria em meus braços, fico num misto de vaidade e meu coração ri, minha mente apaga-se e o mundo ao redor desaparece!...ou melhor! fica turvo de rosa e só existem nós duas; eu fico inebriada pelo seu riso e pelo brilho dos seus olhinhos perante minhas brincadeiras....e quando ela cansada, encosta sua cabecinha em meu peito e se entrega confiante, mal respiro para não perturbar seu descanso. Os seus dedinhos apertam o meu braço talvez a buscar o aconchego que sente em minha pele, não sei, só meu coração canta e meu abraço fica ainda mais redondo aquecido pelo meu coração.
Como a linguagem do amor é silenciosa ela adormece em minutos e meu corpo se transforma numa nuvem de algodão forte e protector. A vida borbulha ao meu redor, e num misto de alegria e de tristeza a esperança da criação acumula-se nesta neta, neste pequenino ser que já sente a avó de coração alongado ao outro bébé tão longe. Hoje, dia 01 de Julho faz 27 anos que eu tinha outro bébé nos braços, e a roda da vida vai e volta. Hoje, esse bébé é uma mulher linda que tem outro bébé nos braços e estão ambos tão longe, depois do grande oceano...
Numa cumplicidade secreta a doçura do abraço faz meu coração transbordar de amor e o seu olhar fala-me duma fragilidade celestial - os anjos levam meu amor ao outro bébé - a cumplicidade se estabelece e o grande Amor Maior faz-se presente. Obrigada neta linda por unires no meu colo, o teu amor ao meu e juntas damos amor ao Adonai, o novo neto de oito dias...amo-te Maria Helena neta doce.
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